Saturday, 11 October 2008

Inovação

A inovação é uma das maiores "buzzwords" dos últimos tempos. Se fizer uma retrospectiva pessoal de quantas vezes falei sobre o tema em conversas profissionais nos últimos tempos... até me deixa de certa forma enjoado.

No entanto, a grande verdade é que a inovação é o motor do desenvolvimento. A ideia é simples: se as empresas não tivessem inventado o PC, não existiria hoje um mercado de 1 Bilião de equipamentos (número este que se espera ver duplicado em 2014... discutivel mas possível). E isso criou valor na economia, descobriu uma nova área de expansão económica que arrasta a humanidade para o desenvolvimento e prosperidade. Isto teve inicio no fim dos anos 70... O crescimento económico mundial tem sido fabuloso e de facto temos vivido uma época de prosperidade.... continuará?

A inovação a que me refiro não é a inovação "tradicional" ou no conceito com que a encaramos em termos teóricos na discussão do dia a dia... trata-se de encontrar novas fronteiras para a humanidade, desvendar novas áreas que se sejam verdadeiramente revolucionárias.

Mas a verdade é que estas macro inovações surgem por vezes do desenvolvimento de pequenos conceitos e nem sempre têm uma justificação económica. Como li numa recente entrevista do Eng.º Belmiro de Azevedo em que dizia que a curiosidade é essencial para a inovação.

Um exemplo: o LHC do CERN. Qualquer análise de retorno de investimento dos 17,5 Biliões de Euros na construção do CERN será ridícula, porque ninguém pode quantificar os benefícios que dele advêm. Mas, é essencial que a visão 100% economicista não bloqueie este tipo de investimento sob pena de estancarmos a capacidade de revolucionar a economia e o modo como vivemos.

Li hoje um artigo de Leonel Moura que é ilustrativo disto mesmo:

"Existe um sistema de jogo no casino, conhecido entre nós pela espirituosa designação de "a lamber", cuja origem se encontra no filósofo, matemático e enciclopedista D’Alembert, que consiste em jogar uma aposta simples - por exemplo, na roleta pode ser no vermelho ou no preto; no jogo de dados conhecido por Banca Francesa no pequeno ou no grande dobrando a parada cada vez que se perde. A casa paga dois para um, ou seja, ganha-se o mesmo que se apostou.
A probabilidade de sair muitas vezes seguidas o contrário da nossa aposta é diminuta e, portanto, vai-se ganhando pouco mas consistentemente. Acontece, contudo, que, por vezes, saem mesmo grandes séries seguidas e, como o jogador tem que ir dobrando, a dado momento acaba-se o dinheiro. Basta pensar que se a aposta inicial for 10 euros por suposição no vermelho, ao sair 10 vezes seguidas o preto o jogador já está a apostar 5120 e consumiu 10230 euros para ganhar 10. Este sistema só é aliás realmente viável com muita paciência, ou seja, com base no conhecimento estatístico é preciso esperar por uma série e apostar no contrário. De qualquer modo, fica a ideia do princípio, já que a actual crise financeira tem bastante a ver com este tipo de sistemas. Muitos bancos de investimento faziam e fazem "apostas" em valores muito superiores às suas capacidades financeiras reais, num processo de sistematicamente subir a parada para não deitar tudo a perder. Daí o falar-se eufemisticamente de falta de liquidez, esquecendo que essa suposta liquidez não existiu nunca.

Chegados aqui, estamos portanto perante um cenário em que ou se desiste e temos a ruína ou se chuta para a frente na esperança de que finalmente saia o vermelho. É isto que os Bancos Centrais e os Governos estão a fazer neste momento. E nem podiam fazer outra coisa.

Mas há mais vida para além desta crise. E essa vida conta a partir de agora com uma espécie de refundação do papel dos Estados e sobretudo o sabermos se estes têm capacidade para reformar seriamente o modelo económico vigente. À partida diria que não. Por dois motivos. Primeiro porque a ideologia dominante na gestão política mundial, nas suas várias "nuances" mais ou menos liberais, é filha de um conjunto de ideias e princípios que conduziram precisamente a uma economia do endividamento e do chutar para a frente. A economia, tal como a conhecemos, é sobretudo uma economia de crédito, com uma permanente fuga para a frente e um pagamento futuro que será feito por alguém ou alguma coisa. Ao contrário de outras épocas de um capitalismo mais primitivo em que a acumulação de riqueza implicava um depósito efectivo em ouro, património e dinheiro contado, hoje ser muito rico significa ter grandes dívidas.

Mas sobretudo porque não existem alternativas. Tal como avisou o insuspeito Saramago, a esquerda, dita mais à esquerda, que desde Marx sempre foi muito crítica do capitalismo, perdeu-se entretanto na pura resistência e num "antigamente é que era bom", não tendo sido capaz de desenvolver novos modelos de sociedade e novos paradigmas económicos. Tudo o que se conseguiu com algum êxito foi a concepção do micro-crédito e, já noutro plano, a nova economia do gratuito nascida na Internet. Mas são andorinhas que não fazem uma Primavera.

É por isso que, continuando a citação do nosso Nobel, toda a conversa sobre o novo papel dos Estados redundará inevitavelmente em pequenas mudanças na forma para que tudo fique na mesma. Também aqui nem outra coisa seria de esperar.

Só um sobressalto tecnológico e científico seria capaz de acelerar o crescimento global e gerar uma nova economia. Há muito esperado, pois estão reunidas todas as condições para que possa suceder, esse sobressalto tem sido adiado devido à falta de visão dos investidores. Ao canalizarem enormes fundos para a especulação bolsista falta dinheiro para o desenvolvimento a sério e em força de áreas tão importantes como a exploração espacial, a biotecnologia, o desenvolvimento das novas energias, a manipulação genética ou a robótica, enfim a inovação. Em particular a exploração espacial continua tímida quando essa é uma aventura que arrastaria todas as restantes tecnologias e saberes, tal como aconteceu no passado com os primeiros descobrimentos. Mas de momento continuamos dominados com a pequena ambição do "a lamber". Até ver."

Leonel Moura in Jornal de Negócios, 10 de Outubro de 2008

Tuesday, 7 October 2008

A Administração Pública e o Outsourcing nos Sistemas de Informação

A opção estratégica de uma entidade pública ou privada de fazer Outsourcing não deverá ser vista como uma evolução tecnológica, mas sim como uma opção de transformação de um modelo de negócio em que se dispersam recursos (humanos, financeiros, etc) a efectuar tarefas repetitivas e para as quais se perde capacidade de inovação (devido ao enfoque na entrega repetitiva de serviço) para um novo modelo de negócio em que se verifica uma concentração no "core" do negócio e se inova de forma colaborativa - a inovação colaborativa é a capacidade de criar novos produtos, serviços, mercados e modelos de negócio recorrendo e usando a própria capacida de inovar dos parceiros.

Em suma, acredito que a opção por Outsourcing na Administração Pública trará os seguintes benefícios:

1. Redução dos custos globais do OE em Sistemas de Informação;
2. Libertar alguns dos ganhos obtidos com essa redução de custos para investimento em inovação;
3. Tornar mais transparente a forma como a Administração Pública gere os dinheiros dos contribuintes;
4. Proporcionar um serviço de mais qualidade ao cidadão e ás empresas;
5. Qualificar e Requalificar os Recursos Humanos da Administração Pública;
6. Modernizar os Sistemas de Informação sem necessidade de realizar investimentos;
7. Criar Economias de Escala dentro da própria Administração Pública.

Sobre a forma mais adequada de alcançar estes benefícios proporcionados pelo Outsourcing, sabemos que os factores críticos de sucesso são:

1. Focus numa relação de parceria e flexibilidade contratual dentro dos limites legais, por oposição a tentar regular todos os aspectos da relação;
2. Primazia da qualidade de serviço, capacidade de inovação e flexibilidade face á redução de custos (a partir do momento em que se atinge uma redução de custos considerável), i.e, é essencial conseguir uma redução de custos mas sem "estrangular" a capacidade de inovação do parceiro;
3. Procurar alinhar os objectivos contratuais com os objectivos da entidade pública contratante (objectivos esses que deverão ser realistas, quantificáveis e mensuráveis), ex: é essencial para o Ministério das Finanças que o processamento das Declarações de IRS, IRC, IES e afins seja feito de forma rápida, segura e sem erros. Assim, caso esta entidade optasse por externalisar os seus Sistemas de Informação seria de facto interessante fazer reflectir estes objectivos no próprio contrato.

A new Era for capitalism?

Looking at the current financial collapse one must agree that greed and irresponsible conducts have taken place in a massive scale in the Past. What is done cannot be changed, but we must not forget and more importantly: we must learn from our mistakes. I have just read an article witch is very interesting from professor Luigi Zingales: http://faculty.chicagogsb.edu/luigi.zingales/Why_Paulson_is_wrong.pdf

It is obvious for me and for any tax payer that the underlying principle of this article is correct and that we must start to view the "investment banking business" separately from the "deposit banking business" which means:

1. The ones that had irresponsible conducts in the past will suffer the consequences;
2. Investors (pension funds, private investors, etc) MUST understand that in the future their reward for having liquidity will become lower and less risky at the same time;
3. A more concentrated market in the financial sector;
4. A more conservative investment strategy from individuals, companies and governments due to the adversity that the financial institutions will have for high risk operations;
5. An effective and controlled mechanism of risk classification within banks (maybe managed and audited by an external institution?

In fact we must agree with Luigi Zingales: "The time has come to save capitalism from the capitalists."